Deixe os ouvintes ouvirem o diálogo!

Tempo de leitura: 2 minutos

A difícil arte de falar na hora certa!

Todos são importantes!

A audiodescrição ao vivo, seja improvisada em programas de televisão ou ensaiada em espetáculos de teatro, torna-se a cada dia mais comum. O profissional moderno deve estar atento, capacitado e pronto para lidar com as mais distintas situações.

Porém, os ouvintes querem ouvir prioritariamente o espetáculo, depois a descrição. O diálogo conta a história e ele deve ser ouvido. Só se quebra essa regra quando omitir a descrição gera uma confusão maior do que deixar o diálogo preservado.

Quando duas pessoas falam ao mesmo tempo, como, por exemplo, o ator e o descritor, em geral os ouvintes não conseguem entender nenhuma delas. Se for estritamente necessário descrever durante um diálogo, fale alto e com convicção – os ouvintes conseguem, de modo geral, compreender palavras faladas simultaneamente e letras de música, por exemplo.
Socorro… help!

É comum que os descritores precisem falar em cima de música de fundo, recursos de áudio e a letra de um refrão de música repetida. Não se deve descrever durante estrofes importantes, o verso de uma canção ou sua primeira estrofe. Cuidado ao falar em cima de uma “música tocada no rádio”, já que o fato de a plateia reconhecer ou ouvir a música pode ser importante para determinar um clima na cena, relembrar uma era, fazer uma declaração emocional, dentre outros.

Jéssica está falando sem parar que ela quer fazer um bolo, mas sorrateiramente pega uma arma na gaveta. O descritor deve falar em cima do diálogo, já que a plateia ouvirá um disparo antes que ela pare de falar sobre fazer o bolo.

Diálogos de rádio, televisão e/ou a fala de outros personagens podem ser importantes para o enredo ou serem considerados áudio de segundo plano. Se for esse o caso, pode-se descrever sobre ele, desde que a descrição seja vital.

Rádio, TV e agora a internet!

Não fale em parágrafos ou frases elaboradas. Use frases curtas em vez de longas. Tente falar pelo menos duas ou três palavras para que os ouvintes possam trocar o foco para a voz do descritor. A menos que seja absolutamente necessário, tente não interromper com uma palavra só.

Quando houver o luxo do tempo de sobra, “Daniel cruza a sala, pega uma faca e passa manteiga na torrada”.

Com menos tempo: “Daniel pega uma faca e passa manteiga na torrada”.

Com pouquíssimo tempo: “Daniel passa manteiga na torrada”.

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Autor: Carlos Abelheira – Intérprete, tradutor e audiodescritor 

Revisora: Ana Júlia Perrotti-Garcia – Intérprete, tradutora e audiodescritora.

 

 

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