Fale a língua do povo

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A linguagem com a cara do público o beneficia

A língua do povo

Ao roteirizar a audiodescrição, sobretudo de peças de teatro e cinema, é importante usar uma linguagem consistente com o conteúdo do material e apropriada aos ouvintes. Por exemplo, o vocabulário de programas infantis deve ser adequado à faixa etária. As palavras devem ser pronunciadas adequadamente – os nomes dos atores, diretores e desenhistas, além dos personagens, objetos e lugares – e de forma coerente em toda a obra. No caso de nomes estrangeiros, a pronúncia correta deve ser verificada com o produtor, o tradutor ou a equipe quando há dúvidas. Se a pronúncia errada de um personagem, nome ou qualquer parte for intencional, essa deve ser usada.


Ao descrever para ouvintes jovens, lembre-se de que eles podem desconhecer expressões, gírias e ditados mais antigos.


Nem todos ouvintes compreenderão gírias, coloquialismos e termos regionais. O contexto, o local e a época da exibição devem ser levados em conta, o que também vale para terminologias, cujo uso deve-se estender até a capacidade de compreensão dos ouvintes, sempre optando por palavras mais descritivas e estruturas frasais mais concisas.

O português é uma língua rica. As pessoas andam, mas também passeiam, cambaleiam, perambulam, caminham, tropeçam, mancam, obrigando o descritor a eleger o verbo que melhor corresponde à ação.

Cuidado com os pronomes! Quando há uma mulher na cena, use “ela”, ao passo que, com mais de uma, nomes próprios ficam mais claros. Caso a personagem ainda não tenha sido nomeada na trama, seu nome não deve ser usado.

Toda mudança de tempo (flash backs ou visões do futuro) deve ser abordada em relação ao personagem em vez de situações. Música e efeitos visuais podem auxiliar na identificação das mudanças de tempo.


“A luz muda para laranja conforme Jorge se senta ao lado da irmã à mesa de jantar.”


A descrição das cores ajuda as pessoas com baixa visão a localizar o que está sendo descrito e compartilha o “sentido” emocional da cor na produção. Geralmente, pessoas cegas ou com baixa visão compartilham as reações comuns que atribuímos às cores, como a serenidade do azul e do verde, e a quentura e tormenta do laranja e do vermelho.


“O vestido é vinho”, em vez de ‘o vestido é vermelho”, descreve o vestido com mais riqueza. No entanto, deve-se evitar palavras incomuns ao descrever cores, como “ciano’, “cerúleo”, “pardo”.


Carlos Abelheira – Intérprete e Audiodescritor:

Licenciado em Ciências Biológicas e bacharel em Direito, pós-graduado em Tradução, Interpretação e Localização, com mais de 7.000 horas de interpretação simultânea para várias empresas, agências e instituições das mais diversas áreas do conhecimento. A pluralidade de sua experiência, unindo aulas, traduções e interpretação, lhe permite atuar com extremo profissionalismo. Já interpretou diversas autoridades brasileiras e estrangeiras, como o Ministro da Defesa Celso Amorim, o Secretário de Defesa do Rio de Janeiro Mariano Beltrame, o Governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e executivos sênior de inúmeras empresas. Com ampla vivência jurídica, possui um autoprograma de educação continuada, buscando o constante aprimoramento profissional. É tradutor certificado e suas traduções têm pleno efeito oficial e legal nos Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Canadá e Austrália.

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